• Caio Cesarião

A depender da aquisição da Laureate, quais os novos cenários previstos para o Ensino Superior?

Quem aí não gostaria de ter 12,6% de Market Share do seu mercado? Segundo os últimos dados oficiais do setor do ensino superior brasileiro, esse é o percentual que a poderosa Kroton representa no mercado. Nada mal para um tamanho de mercado de cerca de R$55 bilhões.


Mas essa corrida está quentíssima, a compra da Laureate está em ritmo acelerado. Em setembro, uma primeira oferta feita pelo Grupo Ser Educacional de R$1,7 bilhão esquentou a disputa, colocando urgência no assunto para as demais concorrentes. A própria Ser já aumentou a oferta para R$4 bilhões.


Façam suas apostas.


Neste ínterim, surgiram como interessados o Grupo Cruzeiro do Sul Educacional, que recentemente fez muitas aquisições, e a YDUQS, muito conhecida pelo Sudeste por ter uma das marcas mais famosas do país, a Estácio.


Enfim, o que isso vai significar para o setor de educação superior e também para cada um dos grupos, além apenas dos bilhões que envolvem essa transação?


Vejamos. Podemos falar sobre os números olhando sob uma ótica do mercado e do aluno. Por exemplo, foram identificadas muitas reclamações recentes dos alunos devido a uma compra efetuada na região sul pela Cruzeiro do Sul. Estamos falando da Universidade Positivo.


Em geral, atualmente, o aluno que se forma no ensino médio tem menos opções de universidades devido ao aumento da concentração do mercado de ensino superior ano após ano no Brasil.


Trouxemos aqui três “antes e depois” dos grupos, devido à efetivação da aquisição da Laureate por alguma dessas marcas citadas.

  • Share de mercado;

  • Índice de permanência dos grupos;

  • O mesmo índice de permanência, porém na visão dos cursos.


Share de mercado


Essa informação é de grande relevância para o setor. Isto porque traz uma preocupação dos especialistas do setor: a prática de preços predatórios.


Ouvimos em muitas reuniões com universidades com menos de 5 mil alunos de que os grandes grupos tornam as ofertas muito competitivas, levando uma boa parte dos seus alunos por conta dos baixos preços cobrados. Mérito também das grandes corporações que se adaptam com mais velocidade às novas realidades desse mercado.


Vamos às estatísticas. De acordo com os últimos números oficiais divulgados pelo setor, a tabela abaixo traz a dinâmica da concentração dos grandes grupos. Aqui podemos enxergar a posição que cada um ocupará e quanto do Market Share ele passará a concentrar.

Tabela 1: A dança pelo poder e a dinâmica do mercado do ensino superior brasileiro devido à disputa pela compra do Grupo Laureate.


É interessante verificar:

  • pela primeira vez, em caso da YDUQS levar, a configuração de um leve domínio da Kroton e não mais soberano, com a YDUQS sinalizando a intenção de concorrer à liderança neste segmento;

  • a figuração da Ser Educacional no top 5 das universidades que concentram maior número de alunos, pois hoje ela não está neste ranking. Aliás, se isso se concretizar, a Ser Educacional finalmente crava sua bandeira na região Sudeste do Brasil;

  • a aparição da UNINTER como a 5ª instituição de ensino em caso da Ser Educacional não finalizar essa compra, situação que não ocorre segundo os dados mais recentes, passando a ser um próximo alvo de especulação para aquisições.


Índice de permanência dos alunos na visão dos grupos


Outra visão interessante é analisar pelo lado do cuidado com que a instituição de ensino superior tem olhado e precisará olhar para seus alunos ativos.


Garantir a permanência dos alunos parece uma questão óbvia, mas como cidadão, não percebemos que isso garante muito mais do que a simples formação do aluno: no Plano Nacional de Educação (PNE), temos duas metas mais que importantes para o sucesso da educação brasileira: a Meta 12, que discorre sobre a nação elevar a taxa líquida de matrículas na educação superior da população de 18 a 24 anos para 33%, e a Meta 14, que estabelece o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu, de modo a atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores. Como atingir esses objetivos sem atacar as taxas de permanência? Podemos estender essa mesma visão para os níveis anteriores, os ensinos básico e médio.


Vamos às comparações


Permanecer é dominar. Veja a taxa média de permanência do aluno nos últimos três anos em cada uma das situações de compra da Laureate, devido a herança histórica dos dados.

Tabela 2: Índices de permanência dos grupos em caso de compra da Laureate.


Aqui fica claro o tamanho do desafio para cada grupo. Para todos eles, a compra representa uma queda sistemática no índice de permanência. A Ser Educacional é o grupo que mais terá de se adaptar à realidade da Laureate, no sentido de compreender o perfil do aluno que passará a atender, e vice-versa, pois a Ser deve imprimir suas práticas para que as taxas de permanência se aproximem das observadas nas atuais gestões.


Índice de permanência dos alunos sob a perspectiva de cursos


Essa mesma visão, agora por curso, nos aproxima um pouco mais da pessoa mais importante do processo educacional: o aluno. Isto porque a permanência observada por curso diz muito sobre o que cada instituição de ensino faz e fará acerca da evasão dos seus alunos.


Figura 1: Top 3 de índices de permanência mais impactados pela compra da Laureate, para cada grupo.


Aqui, trazemos os cursos top 3 cuja gestão da permanência terá mais impacto no momento inicial, que deve refletir na vida acadêmica.


O notável é a diversidade de temas encontrada devido aos diversos mixes observados em cada combinação. Cada grupo terá mais esse desafio de entender suas reais diretivas na atuação da evasão e sua relação com a proposta de atendimento do mercado de trabalho a que se propôs.


Isso corrobora com a necessidade anterior proposta de cumprimento das metas do PNE, pois se a instituição de ensino superior não reconhecer rapidamente seus índices compostos de permanência pelas características intrínsecas e extrínsecas ao alunado (curso, condição socioeconômica, local de origem e de estudo, idade), significa que ela terá mais dificuldades de identificar onde está e onde quer chegar para contribuir positivamente com os desejos nacionais, e definitivamente, cumprir com a sua própria razão de existir.


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