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O que deve se aprender com os dados apresentados pelo PISA?

Atualizado: Jan 21



Realizado pela primeira vez em 2000, o PISA, Programa Internacional de Avaliação de Alunos (em inglês: Programme for International Student Assessment) é uma rede mundial de avaliação de desempenho escolar que ocorre trienalmente. O programa é coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e tem como objetivo melhorar as políticas e resultados educacionais.


A avaliação foi pensada para auxiliar na geração de indicadores que favoreçam a discussão e na melhoria educacional do ensino básico nos países participantes. Para isso, o processo avaliativo busca averiguar até que ponto as escolas desses países estão capacitando os alunos para a cidadania.


Participam do programa alunos entre 15 anos e 2 meses e 16 anos e 3 meses matriculados em alguma instituição de ensino. Também são aplicados questionários específicos a escolas e professores, os quais permitem observar o desempenho dos estudantes a variáveis educacionais, socioeconômicas e demográficas.


Dessa maneira, o que a OCDE pretende identificar não é apenas como os estudantes reproduzem seus conhecimentos, mas principalmente sua capacidade de empregar esses saberes dentro e fora do contexto escolar. Outro benefício é que ao final da pesquisa, os resultados podem ser utilizados pelos governos dos países participantes como ferramenta de otimização de políticas públicas educativas. Isso permite uma formação mais efetiva e a participação ativa dos jovens na sociedade.


Indicadores Brasileiros


No início do mês de dezembro, a OCDE divulgou resultados de 79 países de alunos em matemática, ciências e leitura. Nesse contexto, o Brasil apresentou desempenho ruim, aparecendo entre as 20 piores colocações no ranking das três áreas, só ficando à frente de países latinos como Argentina, Colômbia e Panamá. Outros países da região, como Uruguai, Chile e México, apresentam resultados superiores.


Além das áreas citadas, o Brasil não conseguiu registrar avanços significativos no desempenho de leitura. O país manteve sua posição de 2015, mas ainda está atrás de mais de 50 países e regiões econômicas. Já em ciência, o país caiu algumas posições, para uma colocação abaixo de pelo menos 65 participantes.


O mesmo estudo aponta ligeiro aumento da nota média, mas os estudantes brasileiros seguem entre os últimos 10 colocados na prova de matemática. Os resultados brasileiros seguem muito abaixo da média dos países da OCDE, que foi de 487 em leitura, 489 em matemática e 489 em ciências. Esses valores são usados como referência de educação de qualidade pelo mundo.


Por trás dos números


Segundo a OCDE, os números apresentados pelo PISA traduzem uma realidade de alunos brasileiros que não entendem o que leem, não sabem fazer conta e não entendem conceitos básicos de ciência.


Em matemática, por exemplo, 68% dos estudantes não conseguiram atingir o nível 2 do teste, o mínimo estabelecido pela OCDE como necessário para que o estudante exerça plenamente sua cidadania. A escala vai até o nível 6.


Na prática, isso significa que além desses alunos não conseguirem responder às questões de matemática com clareza, não conseguem identificar ou executar procedimentos rotineiros como seguir instruções diretas.


Ao mesmo tempo, 50% dos alunos não alcançaram o nível mínimo para leitura, o que significa que eles têm problemas para interpretar informações e integrar contextos.


Por outro lado, em ciência, apenas 45% dos alunos ultrapassaram o nível 2 e demonstraram, por exemplo, que conseguem identificar se uma conclusão nessa área é válida a partir dos dados apresentados.


Estagnação


Ao analisar os resultados de sete edições do PISA, a OCDE diz que o Brasil mantém uma tendência de estagnação. Embora as notas médias tenham variado alguns pontos para cima e para baixo, no decorrer da última década essa variação não foi considerada estatisticamente relevante para ser considerada uma evolução de patamar.


Tendênca de estagnação no resultado do Brasil no Pisa

Resultados do Brasil no Pisa na última década indicam tendência de estagnação, diz OCDE — Foto: Aparecido Gonçalves/G1


Segundo o estudo, o Brasil deve ser comparável em leitura com a Bulgária, a Jordânia, a Malásia e a Colômbia. Em matemática, com a Argentina e a Indonésia. Já em ciências, os países que estão no mesmo grupo do Brasil no ranking mundial são Peru, Argentina, Bósnia e Herzegovina e a região de Baku, no Azerbaijão.


Apesar da estagnação, o país conseguiu aumentar consideravelmente o número de adolescentes de 15 anos matriculados na escola, sem que isso fizesse cair sua nota média no PISA. No ano passado, 10.691 alunos de 638 escolas fizeram o teste, representando cerda de 2 milhões de estudantes de 15 anos (65% da população total dessa idade no país).


Para os especialistas em educação, o Brasil precisa encontrar maneiras de usar dados como os do PISA para melhorar a gestão dos programas de educação e promover um ensino mais engajado, atento às necessidades dos alunos e ao nível de proficiência de cada um deles.


O Brasil tem ferramentas de avaliação educacionais como por exemplo o ENEM e o ENADE, mas é preciso um trabalho complementar que utilize esses dados para que se mude a realidade. Os resultados, baseados na capacidade de leitura e resolução de problemas nas áreas de Ciências e Matemática, costumam ser incorporados como verdades absolutas, sem levar em conta problemas de fundo estrutural. Quem são esses alunos por trás dessas notas? Qual a realidade deles?


O PISA apresenta apenas uma parte dos fatos vivenciados pelos estudantes, mas é preciso olhar com olhos de quem está dentro. Os sistemas únicos de educação são mais justos, mas há variáveis que dependerão da realidade socioeconômica de cada aluno. Os sistemas seletivos não apresentam melhores resultados porque às vezes correspondem mais a condições socioeconômicas do que a atributos acadêmicos, e não necessariamente apresentam os melhores resultados. Pensar em cada aluno se faz necessário para uma educação de qualidade que respeite limites, dificuldades e qualidades de cada estudante.


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