• Caio Cesarião

O Sudeste clama por soluções no Ensino Superior

Atualizado: 25 de Nov de 2020


A imagem revela a dificuldade das Instituições de Ensino Superior da Região Sudeste (MG, SP, RJ e ES) em captar alunos na graduação
Foto: contribuições de Rflor, Nicolas Mitchell e Adrien Coquet via Noun Project

Um dos maiores mitos que escutamos é a de que o Sudeste é uma região muito privilegiada porque é onde “se tem tudo”: infraestrutura, recursos tecnológicos, emprego, transporte, e, portanto, demanda-se menos esforço para o sucesso em qualquer indústria.


Para o Ensino Superior, não basta.


Dados apontam que, para cada 100 Instituições de Ensino Superior (IES) do Sudeste, 22 pretendem investir em soluções voltadas a seu negócio. Para efeitos de comparação, essa mesma taxa para as outras regiões do país é menor em 42%. Portanto, o interesse relativo em inovações e parcerias no Ensino Superior é superior na região Sudeste.


Das IES do Sudeste que pretendem investir em novas soluções, atenção: 31% delas tiveram quedas de alunos por 2 anos consecutivos. Estamos falando de 330 IES. Além disso, vai um último dado também importante: dentro das que tiveram quedas de alunos consecutivas, pelo menos 30% DELAS NÃO SABEM que precisam de ajuda.


Em uma dessas conversas com universidades, um gestor multidisciplinar disse, em um primeiro momento, que o vestibular havia sido um sucesso: ele havia aumentado muito a captação de aplicantes para os vestibulares; porém, meses depois, ao ver o resultado final, notou que as ausências na prova explodiram, e para completar, o nível de matrícula foi aquém das metas estipuladas pela organização.


Aqui vai mais um mito: queda de alunos e aumento de evasão é uma relação estritamente linear. Claro que a chance aumenta; mas isso não vale para 100% delas. Por isso, é preciso analisar os dados corretamente.



Cidades e universidades


Você conhece a cidade de Itaúna, em Minas Gerais? Localizada na região metropolitana de BH, com um IDH elevado e alunos da rede básica com notas superiores à média brasileira (https://todospelaeducacao.org.br/), a cidade conta com uma universidade chave para atender a demanda de graduandos. Pelas nossas análises, houve uma queda média de alunos no Ensino Superior nos últimos 3 anos da ordem de 11%. Analisando mais a fundo os dados, a evasão média nesses mesmos últimos 3 anos foi cerca de 13%, nada ruim perante a média nacional. Maiores quedas de alunos, nesta ordem: Administração, Ciência da Computação, Engenharia Civil, Engenharia Mecânica e Arquitetura e Urbanismo. Maiores índices de evasão: Engenharias e Gestão Comercial.


Aqui temos uma incongruência: para se ter uma ideia, com níveis de evasão em torno de 13%, é possível crescer, NO MÍNIMO, a 5% anualmente. Porém, houve uma queda vertiginosa do número de graduandos.


O que está havendo, então?


O que acontece muito é que paramos pouco para analisar a qualidade das “n” entradas dos alunos. A concorrência, a diversificação de formas de entrada, o calendário sempre “apertado”, semana de captação que termina depois do previsto, são desafios.


É interessante verificar a qualidade das entradas de alunos dia a dia num processo de captação:

  • Como as suas cadeiras estão sendo preenchidas semanalmente?

  • Qual a chance de captar os melhores alunos antes do concorrente?

  • E quanto isso lhe afeta lá na frente, passados 2, 3 anos de jornada dessas novas classes?


A ser dado o devido cuidado com a análise das informações, cidades que chamam atenção para as mesmas preocupações, além das 4 capitais: São Gonçalo (RJ), Ribeirão Preto, São João da Boa Vista, Araras, São Caetano do Sul, Sorocaba, Votuporanga (SP), Vila Velha, Guarapari (ES), Governador Valadares e Divinópolis (MG).


É um diferencial competitivo monitorar a qualidade de uma sala de aula no processo de captação, antes mesmo que ela venha a iniciar suas atividades plenas, não apenas pelas metas, mas também por causa do olhar pedagógico da instituição.


Compreender de antemão qual a posição dos alunos na trajetória entre o ponto A de formado do ensino médio até o ponto Z de um graduado é necessário e fundamental para que se tenham: corpos docentes mais conhecedores dos esforços que terão de imprimir na prática do ensino; alunos mais acolhidos, mais ajustados às suas necessidades e anseios que projetam na universidade, e, portanto, com maior capacidade de atender às expectativas dela também.


Afinal, a arte de ensinar é uma conjunção de transferências, trocas. Trocas que devem ser estimuladas e aprimoradas, todos os dias.


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