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Porque confiar em si mesmo (e também nos outros)

February 5, 2018

 

Era 1996. Ano da chegada do computador em casa. Foi realmente uma alegria e tanto. Se tratava de um Compaq (comprada pela HP, o maior negócio de hardware da história!), um 486, Windows 95, lindo, o melhor de todos!

Assisto a uma aula de português. Tomo nota da tarefa de casa. Exercitar a dissertação. Adorava aquela escola. Ela estava nos preparando para o vestibular três anos antes.

Pois bem. Chego em casa pela tarde. Demoro para fazer minha tarefa. Me sento no computador, começo a escrever. Escrevo o grosso. Apago tudo. Escrevo de novo. Volto. Reviso.

Lembro até hoje da professora dizendo em alto e bom som (ela era realmente competente em dar a ênfase correta nos pontos principais). Dissertar se tratava da defesa de uma tese. Portanto, era obrigatório: introdução com dados e fatos, argumentação em dois ou três parágrafos, e ao final, a conclusão.

Foi uma noite longa. Muita concentração. Chego à derradeira conclusão apenas na madrugada. Imprimo a minha humilde dissertação. Certo de que fiz um trabalho minimamente razoável, entrego para a professora no dia seguinte.

A aula que sucedeu a essa foi um pouco decepcionante. A professora a inicia perguntando, na frente de todos, se eu havia copiado a dissertação de algum lugar. Eu, perplexo por não entender a razão desta dúvida, apenas afirmei que não.

Ela então disse que estava muito bem estruturada. E que não iria aceitar trabalhos impressos no computador.

Fico imaginando como é a escola fundamental hoje. Será que mudou?

Pois bem.

Comecei com esse exemplo pois fiquei muito feliz (e porque não muito surpreso!) com o que ando vendo no setor de educação.

Certo de que iria ver o caos numa cidade mostrada apenas pela violência, imaginando ver escolas com menos estrutura, metodologias “mais do mesmo” e alunos menos interessados, deparamo-nos com exatamente o inverso. Fomos de cara alertados de que, naquela cidade, existia ali o mercado mais competitivo de educação do país. Está lá um exemplo real da importância de haver a concorrência.

Vimos joias.

Vimos um corpo diretivo altamente preocupado com a qualidade do ensino, mas não somente, também com as competências, tão faladas e valorizadas pelo mercado de trabalho. Vimos pessoas realmente confiantes de que suas metodologias novas de ensino realmente vão preparar seus clientes para enfrentar o que vem por aí. Metodologias que parecem fazer muito sentido. Vimos muitos estudantes guerreiros pelo fato de chegarem às suas universidades, pois se o tempo é o maior desafio do paulistano para estudar (casa-trabalho-faculdade), lá chegar não é apenas um verbo qualquer, mas um sinal claro de que você sobreviveu.

Vimos televisões, tablets e celulares sendo meios para gerar e fixar o aprendizado. Me lembro de ter visto TV na escola. Foi para assistir o funeral do Senna e para assistir um VHS de vôlei na disciplina de Educação Física. Muito bom por sinal, o vídeo se chamava “Fundamentos do Volibol”! Realmente aprendi coisas ali que estão até hoje na minha memória.

Vimos a extinção daquela cadeira única para o aluno, tradicional. Sentamos à sala de aula. Vimos como ela funciona hoje, sem ao menos fazer uma matrícula se quer.

Vimos a preocupação de trabalhar as informações disponíveis para gerar valor.

Foi um aprendizado e tanto.

Não quero passar a mensagem de que esta ou aquela cidade é a melhor do mundo para se viver. Tem seus benefícios, tem suas desvantagens. O que vim dizer é que nem tudo parece tão perdido. Vim fazer um elogio às universidades de fora do eixo Rio-São Paulo também. Tem muita gente boa nesse país e pensando no melhor através da educação. Não é uma tarefa fácil. Como cidadãos e amantes do tema, temos muito trabalho duro a realizar.

A iniciativa privada dá exemplos! As pessoas dão exemplos, mesmo sem querer dar para aparecer. Pelo fato de acreditarem em algo e perseguirem isso.

Um dos maiores desafios é a demanda pelo estudo. Muitas crianças querem ser simplesmente youtubers. Muitos adolescentes querem ser simplesmente influencers. Liderança também pode ser conquistada e exercitada dentro da sala de aula.

Segundo o Censo Escolar 2017, as matrículas do ensino fundamental e médio caíram. Quase 2 milhões de alunos não vão continuar a estudar o fundamental. Quase meio milhão não vai dar sequência no médio. E quantos não vão ter contato com o diploma universitário? Precisamos prevenir isso, pois é inegável que o ganho de produtividade vem através do estudo. E isso é vital para o motor de crescimento do país. Alguém aí fica satisfeito com a taxa atual aproximada de 12% de jovens formados no ensino superior?

“Concluo minha redação” com duas citações interessantes pelas quais todos nós podemos pensar a todo momento e em todos os lugares por onde passamos. A dita pelo famoso filósofo Sócrates: “Só sei que nada sei”, fazendo a alusão aos nossos preconceitos, que naturalmente são as nossas maiores barreiras; nos dá a certeza de nada e nos choca com toda a realidade que encontramos. E a outra de que “nada neste mundo supera a boa e velha persistência” (inclusive se quisermos transformar a educação deste país!); esta citação faz parte do filme que conta a história da criação do McDonalds (THE FOUNDER. Direção: John Lee Hancock, Produção: Robert Siegel. EUA: Weinstein Company, 2017). Exceto pelos exageros, o filme é obrigatório para quem quer vencer na vida (eu também ainda não cheguei lá!).


Links relacionados:

Sobre o Censo Escolar de 2017:http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,ensino-fundamental-perde-1-8-milhao-de-matriculas-em-4-anos-no-brasil,70002172379

Competências para tirar uma nota 1000 na redação do Enem: https://blog.projetoredacao.com.br/dicas-e-hacks/analise-de-um-texto-nota-1000/

Trailer do filme sobre o McDonald’s: https://www.youtube.com/watch?v=AX2uz2XYkbo

20 maiores negócios de TI (a número 08 fala sobre a Compaq): https://www.oficinadanet.com.br/post/13973-as-10-maiores-fusoes-e-compras-da-tecnologia

Um pouco sobre Sócrates: https://super.abril.com.br/ideias/so-sei-que-nada-sei-socrates/

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